quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Comentários acerca do Cap.2 do livro pedagogia da autonomia de Paulo freire. Vitor Pignaton Acerbi.

Comentários acerca do Cap.2 do  livro pedagogia da autonomia de Paulo freire.
Vitor Pignaton Acerbi.

Ensinar não é transferir conhecimento

Será que nós professores, e/ou futuros professores quando entro em uma  sala de aula sou um ser aberto a indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições, um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho - a ele ensinar e não a de transferir conhecimento?
É dessa forma que resolvi começar meus comentários acerca deste capitulo do livro, transformando a afirmação de Freire numa pergunta retórica.
Ensinar exige consciência do inacabamento. Como assim? Será que eu como professor estou predisposto a mudança? À aceitação diferente? Aqui Freire comenta sobre o inacabamento do ser, Na verdade, o inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital. Onde há vida, há inacabamento.
Freire ressalta que somente os seres que se tornam éticos podem romper com a ética. Afinal não se sabe de tigres africanos que tenham jogado bombas altamente destruidoras em "cidades" de tigres asiáticos. Freire vem abordando uma visão, que a partir do momento em que o homem foi intervindo nas coisas ao seu redor, foram “criando” o mundo, na verdade, muitos vem criando seu próprio mundo, (detalhe que o 2ª palavra criando está sem aspas) tambem foram gerando uma tensão radical entre o bem e o mal, entre a dignidade e a indignidade.
Ensinar exige o reconhecimento de ser condicionado. Aqui pude ler algo muito interessante, que me chamou muito a atenção. “Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado. Realmente, devemos todos os dias nos lembrar disso, somos seres condicionados ao sistema a nosso redor, porem, somos inacabados, podemos ser nossos mediadores de nossas próprias transformações, e claro como doscentes, ajudar nas de nossos discentes, por que também de certa forma, seremos parte do “sistema” ao qual eles, discentes, também estão condicionados.
Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educado. Nesse tópico Freire traz uma verdadeira lição para aqueles que ainda acham que a educação deve ser simplesmente tecnicista e sem respeitos ao educando. Freire ressalta que o professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que minimiza, que manda que "ele se ponha em seu lugar" tanto quanto o professor que se exige do cumprimento de seu dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência. É neste sentido que o professor autoritário, que por isso mesmo afoga a liberdade do educando, amesquinhando o seu direito de estar sendo curioso e inquieto, e com isso influencia diretamente de forma negativa na formação do aluno.
Ensinar exige bom senso, ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores. Isso por que a luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética.
Ensinar exige apreensão da realidade, exige alegria e esperança. Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível. Afinal como vamos consegui transmitir mensagens de valores, de melhoras num mundo em que não se vê isso todos os dias, se nós mesmos não acreditamos? Ficará muito difícil.
Ensinar exige curiosidade. Como professor devo saber que sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino. É muito importante que todos, principalmente os docentes possam dar vazão as suas curiosidades. Não reprimi-las. Este é um direito de todos, é um direito nosso. Com uma curiosidade “domesticada” como dito por Freire podemos até conseguir memorizar muitas coisas, mas sem a curiosidade verdadeira nunca obteremos uma compreensão geral de um assunto, de um funcionamento, de um mecanismo. Por isso que a construção de qualquer conhecimento implica que exerçamos o nosso direito de sermos curiosos.

Vitor Pignaton Acerbi


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