Comentários acerca do Cap.2
do livro pedagogia da autonomia de Paulo
freire.
Vitor Pignaton Acerbi.
Ensinar não é transferir
conhecimento
Será que nós professores,
e/ou futuros professores quando entro em uma sala de aula sou um ser aberto a indagações, à
curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições, um ser crítico e
inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho - a ele ensinar e não a de
transferir conhecimento?
É dessa forma que resolvi
começar meus comentários acerca deste capitulo do livro, transformando a
afirmação de Freire numa pergunta retórica.
Ensinar exige consciência do
inacabamento. Como assim? Será que eu como professor estou predisposto a
mudança? À aceitação diferente? Aqui Freire comenta sobre o inacabamento do
ser, Na verdade, o inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência
vital. Onde há vida, há inacabamento.
Freire ressalta que somente
os seres que se tornam éticos podem romper com a ética. Afinal não se sabe de
tigres africanos que tenham jogado bombas altamente destruidoras em
"cidades" de tigres asiáticos. Freire vem abordando uma visão, que a
partir do momento em que o homem foi intervindo nas coisas ao seu redor, foram “criando”
o mundo, na verdade, muitos vem criando seu próprio mundo, (detalhe que o 2ª
palavra criando está sem aspas) tambem foram gerando uma tensão radical entre o
bem e o mal, entre a dignidade e a indignidade.
Ensinar exige o
reconhecimento de ser condicionado. Aqui pude ler algo muito interessante, que
me chamou muito a atenção. “Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou
um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além
dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado.
Realmente, devemos todos os dias nos lembrar disso, somos seres condicionados
ao sistema a nosso redor, porem, somos inacabados, podemos ser nossos
mediadores de nossas próprias transformações, e claro como doscentes, ajudar
nas de nossos discentes, por que também de certa forma, seremos parte do “sistema”
ao qual eles, discentes, também estão condicionados.
Ensinar exige respeito à
autonomia do ser do educado. Nesse tópico Freire traz uma verdadeira lição para
aqueles que ainda acham que a educação deve ser simplesmente tecnicista e sem
respeitos ao educando. Freire ressalta que o professor que desrespeita a
curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua
linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que
ironiza o aluno, que minimiza, que manda que "ele se ponha em seu
lugar" tanto quanto o professor que se exige do cumprimento de seu dever
de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do
educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência.
É neste sentido que o professor autoritário, que por isso mesmo afoga a
liberdade do educando, amesquinhando o seu direito de estar sendo curioso e
inquieto, e com isso influencia diretamente de forma negativa na formação do
aluno.
Ensinar exige bom senso, ensinar
exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores. Isso
por que a luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade
deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto
prática ética.
Ensinar exige apreensão da
realidade, exige alegria e esperança. Ensinar exige a convicção de que a
mudança é possível. Afinal como vamos consegui transmitir mensagens de valores,
de melhoras num mundo em que não se vê isso todos os dias, se nós mesmos não
acreditamos? Ficará muito difícil.
Ensinar exige curiosidade. Como
professor devo saber que sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me
insere na busca, não aprendo nem ensino. É muito importante que todos,
principalmente os docentes possam dar vazão as suas curiosidades. Não
reprimi-las. Este é um direito de todos, é um direito nosso. Com uma
curiosidade “domesticada” como dito por Freire podemos até conseguir memorizar
muitas coisas, mas sem a curiosidade verdadeira nunca obteremos uma compreensão
geral de um assunto, de um funcionamento, de um mecanismo. Por isso que a
construção de qualquer conhecimento implica que exerçamos o nosso direito de
sermos curiosos.
Vitor Pignaton Acerbi
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